O processo seletivo de TI tem camadas que outras áreas não têm: ATS, triagem de tech recruiter, revisão de GitHub, tech screening, desafio técnico, entrevista com o time. O currículo precisa sobreviver às primeiras camadas para que as seguintes façam sentido. A maioria dos currículos de TI falha não por falta de conhecimento técnico, mas por não comunicar esse conhecimento de forma que o sistema e o recrutador reconheçam. Este guia mostra como resolver isso.

Por que o currículo de TI funciona diferente

Em TI, o recrutador, muitas vezes um tech recruiter sem background técnico profundo, faz a triagem inicial com base em palavras-chave e links. O engenheiro ou tech lead que vai entrevistar você raramente lê o currículo antes de ver o GitHub ou o resultado do desafio técnico.

Isso cria uma dinâmica particular:

  • O currículo em texto precisa passar pelo ATS e pelo tech recruiter, isso exige palavras-chave precisas e estrutura legível por máquina
  • O GitHub / portfólio precisa convencer o tech lead, isso exige projetos ativos, código limpo e READMEs claros
  • O resumo profissional precisa fazer sentido para os dois, técnico o suficiente para um dev entender, acessível o suficiente para um recruiter filtrar
92%
das vagas de TI publicadas em plataformas como LinkedIn e Gupy passam por triagem automática antes de chegarem a um humano. Para vagas em empresas de tecnologia, a taxa é ainda maior. Um currículo tecnicamente excelente mas sem as palavras-chave certas não avança , independentemente da qualidade do GitHub.

GitHub: o portfólio que pesa mais que o diploma

Para desenvolvedores, o GitHub é a evidência mais valiosa do currículo. Um perfil ativo demonstra o que nenhum texto consegue: como você escreve código, como estrutura um projeto, com que frequência contribui e o que construiu fora do trabalho.

O link do GitHub deve estar no cabeçalho do currículo, logo após o e-mail. Mas apenas incluir o link não basta, o perfil precisa estar em condições de ser avaliado:

1

Repositórios públicos com README

Cada projeto relevante deve ter um README explicativo: o que o projeto faz, por que foi construído, qual a stack, como rodar localmente e, se possível, prints ou link da demo. Um repositório sem README é invisível para o tech lead que tem 5 minutos para avaliar seu perfil.

2

Commits recentes, padrão de atividade

O gráfico de contribuições do GitHub (o "jardim verde") comunica disciplina e consistência. Não precisa ser todos os dias, mas um perfil sem commits nos últimos 6 meses sugere que o desenvolvedor parou de praticar ou está estudando sem registrar. Mesmo pequenos projetos pessoais ou estudos documentados fazem diferença.

3

Pinned repositories com os projetos mais relevantes

O GitHub permite fixar até 6 repositórios no perfil. Use essa função para destacar os projetos que melhor representam sua stack e nível. O tech lead vai olhar para esses projetos primeiro, não deixe os mais relevantes enterrados na lista.

Se o seu GitHub está vazio, não inclua o link. Um perfil vazio ou com apenas forks sem commits próprios prejudica mais do que ajuda , sinaliza que o candidato conhece a importância do GitHub mas não tem projetos para mostrar. Nesse caso, é melhor construir ao menos 2 projetos com README antes de enviar qualquer candidatura que inclua o link.

O que cada nível de senioridade precisa mostrar

Nível O que o recrutador espera ver Tamanho do currículo
Júnior
0–2 anos
Projetos pessoais no GitHub, cursos e bootcamps reconhecidos, stack básica dominada (1 linguagem + 1 framework), disposição para aprender e receber feedback 1 página
Pleno
2–5 anos
Histórico de entrega em produção, impacto técnico mensurável, stack consolidada com múltiplas tecnologias, experiência com metodologia ágil e trabalho em equipe 1–2 páginas
Sênior
5+ anos
Decisões de arquitetura, liderança técnica ou mentoria, resolução de problemas complexos de escala ou performance, certificações avançadas, contribuições open source 2 páginas
Especialista / Staff
8+ anos
Impacto cross-team, definição de padrões técnicos, palestras ou publicações, contribuições significativas a projetos maiores, histórico de resultados de negócio mensuráveis 2 páginas máx.

Estrutura ideal do currículo para TI

1

Cabeçalho com links técnicos

Nome, telefone, e-mail profissional, cidade e, prioritariamente, link do GitHub. Para frontend e design, adicione link do portfólio. LinkedIn é opcional mas útil para networking. Informe preferência de regime (remoto, híbrido ou presencial) se relevante para a vaga.

2

Resumo profissional (em vez de objetivo)

Para pleno e sênior, use um resumo de 3 a 5 linhas com: título do cargo, anos de experiência, stack principal, tipo de sistema/produto com que trabalhou e principal diferencial. Não use "objetivo profissional", profissionais de TI com experiência usam resumo.

3

Stack técnica, seção dedicada e organizada

Seção própria, separada das experiências, com tecnologias organizadas por categoria: linguagens, frameworks, bancos de dados, cloud, ferramentas/CI-CD. Texto puro, sem barras de progresso, sem ícones, sem pontuações numéricas.

4

Experiência profissional com impacto

Em ordem cronológica inversa. Para cada cargo: empresa, cargo, período, stack usada na função e de 3 a 5 responsabilidades com impacto técnico e/ou de negócio mensuráveis. Descreva o que você construiu e o resultado, não apenas "participei de".

5

Formação e certificações

Graduação em Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Engenharia ou área correlata. Cursos técnicos e bootcamps reconhecidos. Certificações com nome completo, emissora e ano. Inglês com nível real.

Modelo para desenvolvedor backend (pleno)

PEDRO HENRIQUE ALVES

(11) 9 8765-0011  |  [email protected]  |  São Paulo, SP  ·  Remoto ou híbrido

Resumo Profissional

Desenvolvedor backend pleno com 4 anos de experiência em sistemas distribuídos e APIs de alta disponibilidade. Stack principal: Python (FastAPI, Django), PostgreSQL e AWS. Experiência em ambientes com mais de 1 milhão de requisições/dia e migração de arquiteturas monolíticas para microsserviços.

Stack Técnica

Linguagens: Python (avançado), Go (intermediário), SQL

Frameworks: FastAPI, Django REST Framework, SQLAlchemy, Celery

Bancos de dados: PostgreSQL, Redis, MongoDB, Elasticsearch

Cloud / Infra: AWS (EC2, RDS, S3, Lambda, SQS) · Docker · Kubernetes (básico) · Terraform

CI/CD e ferramentas: GitHub Actions · GitLab CI · Datadog · Sentry · Pytest

Metodologia: Scrum · Code review · TDD

Experiência Profissional

Desenvolvedor Backend Pleno - Fintech Pagali, São Paulo, SP (remoto)

Janeiro de 2024 – atualidade  ·  Stack: Python / FastAPI / PostgreSQL / AWS

▲ Reduziu latência média das APIs de pagamento de 320ms para 85ms

• Desenvolvimento e manutenção de APIs REST para processamento de transações PIX e boleto (1,2M+ req/dia)

• Refatoração do sistema de notificações de síncrono para assíncrono com Celery + Redis, eliminando timeouts em pico de carga

• Implementação de testes automatizados com Pytest, elevando a cobertura de 41% para 78% em 3 meses

• Revisão de código e mentoria técnica de 2 devs júniores no time

• Participação na migração de módulo de relatórios de monólito para microsserviço independente

Desenvolvedor Backend Júnior → Pleno - SaaS Edtech Aprende+, São Paulo, SP

Março de 2022 – Dezembro de 2023  ·  Stack: Python / Django / PostgreSQL

▲ Feature de recomendação de cursos aumentou conversão de trial em 18%

• Desenvolvimento de APIs para plataforma de cursos online com 80k usuários ativos

• Integração com gateways de pagamento Stripe e PagSeguro

• Modelagem e otimização de queries PostgreSQL, reduzindo tempo de carregamento do dashboard em 40%

Certificações

AWS Solutions Architect Associate (SAA-C03) - Amazon, 2025  ·  válido até 2028

Python Professional Certification (PCPP1) - Python Institute, 2023

Formação

Bacharelado em Sistemas de Informação - FIAP, São Paulo, SP  ·  Concluído em 2021

Idiomas

Inglês avançado (leitura, escrita e conversação técnica)  ·  Espanhol básico

Modelo para analista de infraestrutura / DevOps

BEATRIZ NASCIMENTO SILVA

(51) 9 9234-5678  |  [email protected]  |  Porto Alegre, RS  ·  Remoto

Resumo Profissional

Engenheira DevOps com 5 anos de experiência em automação de infraestrutura, pipelines CI/CD e migração para cloud. Stack principal: AWS, Terraform, Kubernetes e GitHub Actions. Certificação AWS Solutions Architect Professional ativa. Experiência em ambientes de alta disponibilidade (99,9% uptime SLA) em empresas de fintech e e-commerce.

Stack Técnica

Cloud: AWS (avançado - EC2, EKS, RDS, VPC, IAM, CloudWatch, S3, Lambda) · GCP (intermediário)

IaC: Terraform (avançado) · Ansible · CloudFormation

Containers: Docker · Kubernetes · Helm · ArgoCD

CI/CD: GitHub Actions · GitLab CI/CD · Jenkins

Observabilidade: Datadog · Grafana · Prometheus · ELK Stack

Scripting: Bash · Python (automação)

Experiência Profissional

Engenheira DevOps Sênior - E-commerce MegaStore, Porto Alegre, RS (remoto)

Fevereiro de 2023 – atualidade  ·  Stack: AWS / Kubernetes / Terraform

▲ Reduziu tempo de deploy de 45 minutos para 8 minutos com pipelines GitOps

• Migração completa de infraestrutura on-premise para AWS EKS com zero downtime

• Implementação de IaC com Terraform para 100% dos recursos de infraestrutura

• Redução de 35% no custo mensal de cloud via rightsizing e Spot Instances

• Configuração de observabilidade completa com Datadog: alertas, dashboards e SLOs por serviço

• Condução de runbooks e resposta a incidentes (on-call): MTTR médio reduzido de 42min para 12min

Analista de Infraestrutura - Fintech CreditNow, Porto Alegre, RS

Junho de 2021 – Janeiro de 2023  ·  Stack: AWS / Docker / Ansible

• Administração de infraestrutura AWS para ambiente de produção com 200+ instâncias EC2

• Automação de provisionamento com Ansible, reduzindo tempo de setup de servidores de 4h para 20min

• Implementação de pipelines CI/CD no GitLab para 12 microsserviços do backend

Certificações

AWS Solutions Architect Professional (SAP-C02) - Amazon, 2024  ·  válido até 2027

Certified Kubernetes Administrator (CKA) - CNCF, 2023  ·  válido até 2026

HashiCorp Certified: Terraform Associate - HashiCorp, 2022

Formação

Bacharelado em Engenharia da Computação - PUCRS, Porto Alegre, RS  ·  Concluído em 2020

Idiomas

Inglês fluente (certificado TOEFL 105/120, 2023)

Seu Currículo Passa Pelo ATS Antes do Tech Screening?

Mesmo em empresas de tecnologia, o currículo passa por triagem automática antes de chegar ao time técnico. Verifique se os termos da vaga estão no lugar certo, antes de enviar.

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Como listar a stack técnica corretamente

A seção de stack é onde a maioria dos currículos de TI peca por excesso ou por vagueza. Os dois extremos são problemáticos:

Vago demais - não comunica nada

"Linguagens de programação, banco de dados, cloud computing, metodologias ágeis"

Específico e útil

"Python (FastAPI, Django) · PostgreSQL · Redis · AWS (EC2, S3, Lambda) · Docker · GitHub Actions · Scrum"

Longo demais - 40 tecnologias sem contexto

"Java, Python, JavaScript, TypeScript, Go, Rust, C++, PHP, Ruby, Scala, Kotlin, Swift, React, Angular, Vue, Next.js, Django, Flask, FastAPI, Spring Boot, Node.js, Express, NestJS, MySQL, PostgreSQL, MongoDB, Redis, Elasticsearch, Cassandra, AWS, GCP, Azure, Docker, Kubernetes, Terraform, Ansible, Jenkins, GitHub Actions, CircleCI..."

Curado - o que você usa de verdade, com nível

"Linguagens: Python (avançado), JavaScript/TypeScript (intermediário) · Frameworks: FastAPI, React · BD: PostgreSQL, Redis · Cloud: AWS (soluções architect associate) · Ferramentas: Docker, GitHub Actions · Metodologia: Scrum, TDD"

Sobre barras de progresso de habilidades: barras de 3/5 estrelas ou 80% em uma tecnologia são uma das piores práticas em currículos de TI. Elas não comunicam nada padronizado (o que é 80% em Python?), confundem o ATS e fazem recrutadores técnicos desconfiar da autoavaliação. Use nível em texto: básico, intermediário, avançado. Ou simplesmente liste as tecnologias e deixe o código no GitHub falar por si.

Stack por área, o que listar

Desenvolvimento backend:

Linguagem principal com nível (Python, Java, Go, Node.js, C#)
Framework web (FastAPI, Django, Spring Boot, NestJS, .NET)
Banco relacional (PostgreSQL, MySQL, SQL Server)
Banco não relacional (MongoDB, Redis, Elasticsearch)
Cloud provider (AWS / GCP / Azure) com serviços usados
Container e orquestração (Docker, Kubernetes)
Mensageria (RabbitMQ, Kafka, SQS)
CI/CD (GitHub Actions, GitLab CI, Jenkins)

Desenvolvimento frontend:

JavaScript / TypeScript
Framework (React, Vue, Angular, Next.js, Nuxt)
CSS / Tailwind / Styled Components / Sass
State management (Redux, Zustand, Pinia)
Testes (Jest, Vitest, Cypress, Playwright)
Build tools (Vite, Webpack, Turbopack)
Design system / acessibilidade
API REST / GraphQL / tRPC

Dados / Engenharia de dados:

Python (pandas, PySpark, dbt)
SQL avançado (window functions, CTEs, otimização)
Data warehouses (BigQuery, Redshift, Snowflake, Databricks)
Orquestração (Airflow, Prefect, Dagster)
Streaming (Kafka, Kinesis, Flink)
BI / Visualização (Looker, Metabase, Power BI)
Cloud (AWS Glue / GCS / Azure Data Factory)
dbt (data build tool)

Certificações que valem em 2026

Certificações têm peso diferente por área. Para infraestrutura, DevOps e cloud, são quase obrigatórias a partir do nível pleno. Para desenvolvimento, são diferenciais, não requisitos. Informe sempre o nome completo, a emissora e o ano (ou validade, se periódica):

Cloud

AWS Cloud Practitioner (CCP) - entrada, grátis para estudo
AWS Solutions Architect Associate (SAA-C03)
AWS Solutions Architect Professional (SAP-C02)
AWS Developer Associate
Google Associate Cloud Engineer
Google Professional Cloud Architect
Microsoft AZ-900 (Azure Fundamentals)
Microsoft AZ-104 (Azure Administrator)

Infraestrutura e DevOps

Certified Kubernetes Administrator (CKA)
Certified Kubernetes Application Developer (CKAD)
HashiCorp Certified: Terraform Associate
Linux Foundation Certified System Administrator (LFCS)
CompTIA Linux+
CompTIA Security+

Desenvolvimento e qualidade

Oracle Certified Professional: Java SE
Python Institute PCEP / PCAP / PCPP
ISTQB Foundation (QA/Testes)
GitHub Foundations Certification
Certificação com validade vencida: informe a data de vencimento mesmo que passada, com "em renovação" se for o caso. Uma cert vencida há menos de 1 ano ainda demonstra que você já atingiu aquele nível de conhecimento. Omitir a data é pior, o recrutador técnico vai perguntar.

Currículo para entrar em TI sem experiência formal

TI é uma das áreas com mais caminhos de entrada sem histórico profissional formal. Bootcamps, cursos online e projetos pessoais substituem parcialmente a experiência , especialmente para vagas júnior em empresas que valorizam potencial.

1

Projetos pessoais no GitHub com README

Dois ou três projetos bem documentados valem mais que dez repositórios vazios. Construa projetos que resolvam um problema real, mesmo que simples: uma API de lista de tarefas, um scraper de dados públicos, um dashboard com dados abertos. O que importa é que o código seja seu, esteja rodando e tenha um README explicando o que faz e como rodar.

2

Bootcamp ou curso intensivo reconhecido

Rocketseat, Alura, DIO, TripleTen, Driven e Kenzie são bootcamps com reconhecimento no mercado brasileiro. CS50 (Harvard/edX) e cursos do freeCodeCamp têm credibilidade internacional. Descreva o bootcamp com: nome, carga horária, stack ensinada e projeto final com link.

3

Certificação gratuita de entrada

AWS Cloud Practitioner e Google IT Support Professional Certificate (Coursera) têm custo de exame acessível e são reconhecidos em processos seletivos de TI. Para desenvolvimento, o certificado do CS50 é gratuito e tem forte reputação. Uma certificação relevante compensa a ausência de experiência em vagas júnior.

4

Contribuição a projetos open source

Mesmo uma contribuição simples, correção de bug, melhoria de documentação, tradução, em um projeto open source reconhecido demonstra que você sabe trabalhar com código alheio, entende fluxo de PR e review, e tem disciplina para contribuir além dos seus próprios projetos.

5

Inglês técnico como diferencial explícito

Candidatos júniores com inglês suficiente para ler documentação, Stack Overflow e fazer commits em inglês têm vantagem real sobre quem não tem. Mencione se escreve em inglês técnico: "inglês técnico intermediário , leitura de documentação e commits". Essa declaração específica comunica mais que apenas "inglês básico".

Erros que eliminam o currículo de TI

1

Listar 30 tecnologias que você apenas conhece de nome

Tech leads verificam o que você lista. Se você colocou "Kubernetes" e não sabe explicar o que é um pod, vai eliminar sua candidatura na entrevista técnica , não no currículo. Liste apenas o que você usa ou usou com regularidade. Uma stack menor mas real é mais convincente que uma longa e vaga.

2

GitHub no cabeçalho com perfil vazio ou apenas forks

Um perfil GitHub vazio ou com apenas forks sem commits próprios é pior que não incluir o link. O tech lead vai abrir o perfil , e um perfil vazio comunica que o candidato sabe que o GitHub importa mas não tem projetos para mostrar. Construa antes de linkar.

3

Descrições de experiência sem impacto

"Desenvolvi APIs REST utilizando Python e FastAPI" não diferencia ninguém, todo dev backend faz isso. O impacto é o diferencial: "Desenvolvi serviço de autenticação OAuth2 em FastAPI que processava 50k logins/dia com latência abaixo de 100ms". A segunda versão mostra escala, tecnologia e resultado.

4

Currículo em formato que o ATS não lê

Currículos com colunas HTML complexas, tabelas aninhadas ou formatados como imagem (Canva exportado como imagem no PDF) têm alta taxa de erro de leitura no ATS. Use PDF gerado digitalmente, layout em coluna única, texto puro nas seções de habilidades. O conteúdo técnico precisa chegar intacto ao sistema de triagem.

5

Não mencionar o regime de trabalho preferencial

Vagas de TI são amplamente remotas ou híbridas, e empresas filtram candidatos por regime desde a triagem. Se a vaga é 100% remota e você não menciona que aceita remote, pode ser descartado por ambiguidade. Inclua no cabeçalho ou no objetivo: "remoto", "híbrido" ou "presencial em São Paulo". Seja explícito.

Como o ATS avalia currículos de tecnologia

Empresas de tecnologia de médio e grande porte, especialmente as que usam plataformas como Gupy, Greenhouse, Lever ou Workday, processam currículos via ATS antes que qualquer recruiter ou engenheiro os veja. Para vagas de TI, os termos mais buscados são altamente específicos:

  • Título exato do cargo: "desenvolvedor backend", "engenheiro de software", "analista de dados", "DevOps engineer", "SRE"
  • Linguagens e frameworks: "Python", "FastAPI", "React", "TypeScript", "Java", "Spring Boot", "Go"
  • Bancos de dados: "PostgreSQL", "MongoDB", "Redis", "MySQL", "BigQuery"
  • Cloud: "AWS", "GCP", "Azure", nome dos serviços específicos
  • Ferramentas: "Docker", "Kubernetes", "Terraform", "GitHub Actions", "Kafka"
  • Certificações: nome exato da certificação
  • Nível de senioridade: "júnior", "pleno", "sênior", "staff"
  • Inglês: "inglês avançado", "inglês fluente"

Um cuidado específico para TI: o ATS busca pelo nome exato da tecnologia. "Experiência com computação em nuvem" não equivale a "AWS" no índice do sistema. Use sempre os nomes técnicos das ferramentas, não as descrições genéricas.

Use o ATS Checker gratuito do O Currículo para verificar se as tecnologias e termos da vaga específica estão presentes no seu currículo antes de submeter.

Perguntas frequentes sobre currículo para TI

O que colocar no currículo de TI?

Cabeçalho com link do GitHub (para devs), resumo profissional com stack principal e anos de experiência, seção de stack técnica organizada por categoria (linguagens, frameworks, cloud, ferramentas), experiência com impacto técnico mensurável, certificações com nome completo e ano, formação e inglês com nível real. Evite barras de progresso, use texto com nível ou deixe o código falar.

Precisa de GitHub no currículo de desenvolvedor?

Para desenvolvedores, o GitHub é praticamente obrigatório e pesa mais que o diploma para vagas de desenvolvimento. Mas inclua o link apenas se o perfil tiver projetos públicos com README e commits recentes. Um perfil vazio ou com só forks prejudica mais do que não incluir o link.

Inglês é obrigatório para trabalhar em TI no Brasil?

O inglês técnico mínimo (leitura de documentação e commits) é esperado na maioria das vagas. Para empresas com equipes internacionais, o inglês conversacional é exigido. Para empresas nacionais pequenas, é diferencial. Declare o nível real, a área está acostumada a testar o idioma. "Inglês técnico intermediário" é uma declaração mais crível e específica do que apenas "inglês básico".

Como fazer currículo de TI sem experiência?

Projetos pessoais no GitHub com README explicativo, bootcamp ou curso reconhecido (Rocketseat, Alura, CS50), certificação de entrada (AWS Cloud Practitioner, Google IT Support), contribuição a projeto open source se houver, e inglês técnico intermediário. Para devs, 2 projetos bem documentados substituem parcialmente o histórico profissional em vagas júnior.

Qual o formato ideal para currículo de TI?

PDF gerado digitalmente (não Canva exportado como imagem), layout em coluna única, fonte legível entre 10 e 12pt, máximo de 2 páginas para pleno/sênior e 1 para júnior. Sem barras de progresso de habilidades. Stack técnica em texto puro organizado por categoria. Esse formato garante compatibilidade com ATS e legibilidade para recrutador técnico e não técnico.

Conclusão

O currículo de TI precisa funcionar em dois níveis ao mesmo tempo: passar pelo ATS com as palavras-chave técnicas certas, e convencer o tech lead com impacto real e código verificável. A maioria falha em um dos dois, geralmente no ATS, por não usar os termos exatos das tecnologias, ou no GitHub, por não ter projetos que comprovem o que o currículo declara.

O caminho mais curto para um currículo de TI eficaz: seja específico na stack (nomes exatos, não categorias genéricas), mostre impacto nas experiências (o que você construiu e qual foi o efeito mensurável) e mantenha o GitHub em condições de ser avaliado antes de incluir o link. Com esses três elementos em ordem, o currículo cumpre seu papel, chegar ao tech screening.